Meu relato de parto normal

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Primeira mamada perfeita, sendo acompanhada pelo papai e pelas vovós.

Quando descobrem que Pedro nasceu de parto normal, as pessoas me perguntam como foi a experiência, a dor e claro, soltam aquela velha expressão: “corajosa hein?!”

A gente vê que tem alguma coisa errada logo aí, quando as pessoas se espantam por você ter um parto normal em 2015. Sei que a maioria esmagadora dos partos no Brasil são via cirurgia, mas confesso que muito me impressiona essa surpresa generalizada das pessoas, principalmente as mulheres. Na verdade, passei a gravidez inteira ouvindo mais votos contra do que a favor da minha escolha. Posso contar na palma de uma mão as pessoas que me deram força quando eu falava que queria parir normal. Ouvi muitos: “Você vai ser rasgada! Você é louca? É a dor da morte!” Bela maneira de incentivar uma grávida, né? Só que não.

O negócio estava tão sério que eu quase tinha que me justificar dizendo: “É, quero ter normal, mas não, tudo bem, sei do que pode acontecer e estou pronta pra isso.”

Ah, e antes de qualquer coisa, não me acho superior a ninguém por ter parido normal e estava totalmente preparada para a cesárea caso fosse necessário. Toda mulher tem direito de escolher o que deseja, não condeno quem escolhe a cirurgia ou a faz por necessidade, até mesmo pq nem sempre o que queremos é o melhor pra gente. Ninguém é menos mãe que eu por isso. Só queria tentar ter normal, já que acho ser o mais natural possível e se minha mãe, tias e avós conseguiram, por qual motivo eu não poderia ao menos tentar?

Enfim, minha ginecologista me acompanha há muitos anos, foi a primeira gineco que fui na minha vida e por isso não quis trocar de médica quando engravidei. Ela sempre apoiou minha escolha, nunca me impôs medo e me pedia paciência para acompanharmos a evolução da gestação e decidir na hora certa o que seria melhor pra mim e para o bebê. Estava tudo muito lindo, a gestação foi tranquila, não tive pressão alta, não tive diabetes gestacional, não engordei quase nada (6kg) e Pedro seguia crescendo saudável no meu ventre. Fiz uma última ultrassom uma semana antes do nascimento e o médico falou que ele estava pronto, perfeito, encaixado e que tudo se encaminhava para um parto saudável normal, caso eu quisesse. Daí o meu maior medo aconteceu: minha médica não estar aqui na hora do parto. É que, como eu não agendei cirurgia e queria ao menos entrar em trabalho de parto, quando as coisas aconteceram na semana 38, minha médica estava passando dias de férias nos EUA! E tudo aconteceu assim:

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No dia 7/8 Thaís me liga chamando pra usar “minha barriga na fila de prioridade pela última vez”, pra pagar umas contas. Quem nunca né? Hehehe Maridão estava de plantão e lá fui eu ao shopping com Thaís. Pagamos as contas, olhamos lojas e fomos almoçar. Engraçado que nesse almoço falamos muito sobre quando Pedro chegasse em minha vida, em como as coisas mudariam. Quando voltei pra casa, fui dormir pós almoço, como de costume.

Acordei com uma baita vontade de fazer xixi. Percebi que o tampão mucoso havia saído, mas na hora não me preocupei achando que demoraria mais alguns dias para o parto acontecer. Fiz xixi e quando levantei, a mesma vontade permanecia. Ao me abaixar, senti um estouro e um aguaceiro tomou conta do chão do banheiro. Sim! A bolsa havia estourado e eram 16h. Liguei pra o marido, pra minha mãe e enfim, consegui falar com minha médica pelo WhatsApp, que me aconselhou ir ao hospital e ficar tranqüila. Tomei um banho, não sentia dor alguma. Às 17h chegamos ao Hospital da Unimed e fui logo internada. Fizeram o toque, e eu estava com 5cm de dilatação. Após o toque, mais água corria por entre as pernas sem parar, é como se você fizesse xixi e não conseguisse segurar! Daí sim as contrações começaram a todo vapor. Eu estava com medo, já que minha médica não estaria presente e eu seria acompanhada por pessoas que nunca vi na vida. Mas Deus é tão maravilhoso que me presenteou com uma equipe médica pra lá de especial.

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Momento de uma das contrações, ainda no quarto do hospital, antes de ir pra sala de parto.

A enfermeira me perguntou o que eu desejava: normal ou cesárea? E disse que se eu quisesse normal, avisaria a um excelente médico que é super a favor de parto normal e que estava em cirurgia naquela hora, finalizando o plantão dele, mas que se avisassem que tinha uma paciente em trabalho de parto e que gostaria de ter normal, com certeza ele ficaria. Confirmei meu desejo e o médico foi avisado. Era doutor Eduardo Sérgio, um excelente ginecologista e obstetra! Nesse meio tempo fui levada ao apartamento, onde encontrei com minha mãe e Thaís, que ficaram me dando forças enquanto as dores aumentavam. Quando a dor começou a ficar mais forte, eu sentia minha barriga muito dura e pedi para que chamassem alguém. Fazia pouco mais de uma hora que haviam feito o toque e quando foi feito o toque pela segunda vez, eu já estava com 8cm de dilatação! Doutor Eduardo, que estava indo atender umas pacientes em seu consultório, achando que eu demoraria mais algumas horas para ter a dilatação total, foi chamado às pressas e corremos todos para a sala de parto. Lá conheci a equipe e começou enfim o parto.

Dr Eduardo, super alto astral, chegou na sala incentivando e explicando o que eu devia fazer. Eu conseguia ver nos olhos do meu marido uma adrenalina incontrolável! E lá fomos nós! Ele me pedia para fazer força sempre que uma contração viesse, e empurrasse com força enquanto ela durasse. As contrações seguiam em intervalos curtos e duravam uns 15 segundos. Sempre que alguma vinha, força! Foooooorça! Até doutor Eduardo chamar o meu marido e apontar a cabeça do neném, o famoso “coroar” e mostrar que Pedro estava mais perto do que imaginávamos. Eu só conseguia pedir forças a Deus e o melhor pra o meu filho. A força você acha, não sei de onde, mas ela vem! Eu não sentia nada além das contrações.

E foi assim, numa dessas, que senti todo o meu sangue ferver e uma adrenalina misturada com emoção e força me anestesiou fazendo meu filho vir ao mundo às 19h55 do dia 7 de agosto de 2015. É possível sentir o corpo dele saindo de você, os membros passando e você desejando que tudo aquilo de fato aconteça. Não sei explicar. Não sei resumir a emoção, o sentimento de força e de poder que preenche suas veias e te faz gritar de alegria e de dever cumprido. A exaustão dá lugar a um pulmão cheio de fôlego e um coração que transborda amor. Quando colocam o seu filho em cima de você e você pode tocá-lo pela primeira vez, é como se tudo aquilo tivesse sumido e só restassem vocês. Encontrei meu marido com o olhar, que sorria o sorriso mais lindo que já vi, e eu pude ver em seu sorriso um “muito obrigada por ter conseguido”. Ficamos ali, bobos e anestesiados. Viramos pais! Somos pais. E foi assim que o dia mais feliz da minha vida mudou a minha história pra sempre. Pedro nasceu com 42cm e 2,750kg numa sexta-feira feliz!

A dor:

Cada pessoa tem um nível de tolerância à dor. Se você como eu, já teve cálculo renal e passou pela terrível experiência de expelir uma pedra ou passar por cirurgia por causa de uma crise, vai ver que a dor do parto não faz cócegas perto de uma crise renal. A dor do parto só vem na hora da contração, depois ela te deixa respirar. Já o cálculo renal não, a dor é constante e insuportável.

O que não te contam:

– Você pode levar alguns pontos. Não é nada grave mas pode acontecer. Vida normal!

– A cabeça do neném sai esquisita, pontuda. Acontece por conta da passagem, é a natureza adaptando o neném para passar pelo canal. Pouquíssimo tempo após o parto a cabeça já está normal.

– Você vai sangrar. Normal ou cesariana, você vai sangrar no pós parto durante alguns dias. Quanto mais você amamentar, mais o sangramento vai passar, já que ele acontece devido ao útero estar se contraindo para voltar ao seu tamanho normal e a amamentação ajuda nesse processo.

– Sua barriga vai ficar grande mesmo quando o neném sair! Imagina tudo aquilo ali dentro voltando pra o lugar, o líquido, o inchaço. É normal e passa. 🙂

– Você pode sentir tristeza. Sim, tristeza e um imenso vazio ou uma sensação de incapacidade. Eu senti bastante isso no começo, como se não fosse dar conta, principalmente por conta dos pitacos alheios. Confie no seu taco e no seu sentido de mãe que tudo dá certo!

– Você pode sentir pânico com as visitas. Sim, verdade. O fato de saber que alguém estava vindo nos visitar me deixava nervosa. E se a pessoa resolve ficar e ver uma troca de fraldas, por exemplo, você fica mais nervosa ainda! É como se a pessoa estivesse lhe avaliando e esse clima me deixava em pânico.

– Você tem todo direito de impor limites e regras. Eu gostaria de ter sido mais firme quanto a isso, mas fui taxada de chata só pelo fato de não querer que publicassem fotos do meu filho antes de mim nas redes sociais ou de que respeitassem o fato de que estávamos cansados demais pra receber alguém. Infelizmente as pessoas não enxergam isso. Fiquei muito triste com as situações e a invasão de privacidade, mas pelo visto faz parte do pacote. Li e reli vários artigos sobre isso que só me deram certeza de que eu estava correta. Uma pena as pessoas não compreenderem isso. Temos uma vida inteira pela frente com o bebê, mas pelo visto as pessoas só enxergam o agora, justo quando você está aprendendo a lidar com a nova vida.

– Respeite o resguardo: não importa se foi parto normal ou cesárea, é preciso ficar quieta e aguardar os dias de repouso passarem.

No mais, foi isso. Parir normal foi a realização de um sonho e se eu pudesse faria tudo de novo! 🙂

Beijos!!!

Confira também o meu relato sobre o meu primeiro mês como mãe.

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13 Comments on Meu relato de parto normal

  1. Camila, parabéns!
    Que lindo e emocionante não pude conter as lágrimas!
    Para fazer o enxoval do baby utilizei suas dicas e agora tão perto da chegada do meu bebê vou com certeza lembrar do seu relato!
    Tbm quero ter um parto normal e como as pessoas são inconvenientes , como dizem coisas que não queremos saber e não perguntamos…
    Achei mto interessante qdo vc fala que praticamente precisa justificar que, quer um parto normal,eu tbm me sinto assim…
    Mas que linda história é um tapa na cara dessa sociedade rsrs!
    Tudo de bom para vcs!
    Muitas alegrias, vou já ler seu primeiro mês como mãe!
    Obrigada por compartilhar, seu relato me deu mais força e coragem!
    Beijos

  2. Camilla, que história de incentivo linda! Acho que eu já tinha comentado com você que, quando eu ficar grávida, quero tentar um parto normal. Ler o que você escreveu é mais um incentivo. Quando digo que quero ter um parto normal, raramente escuto um incentivo. Sempre rola o famoso: tu é doida? Já ouvi até um: “tu mole desse jeito vai conseguir ter um parto normal? Duvido”. Acredita?

    Foi na Unimed ne?
    Muito legal Camila, parabéns por ter conseguido, ter ficado calma e tranquila. Seus planos deram certo. Mission accomplished!

  3. Camila, que lindo post. Confesso que me emocionei lendo, ainda mais sabendo que o Pedro nasceu um dia depois do meu níver, que chic!!! 😀 Mas sério, seu depoimento só me deu mais coragem de sustentar a minha vontade de ter um parto normal também, acredito que se a pessoa teve uma gravidez saudável e se não é risco para o bebê e nem para a mãe, nada mais que natural ter um parto normal.
    Desejo toda felicidade do mundo para vocês três + Lupita.
    Um abraço carinhoso.

  4. Lindo depoimento… Isso faz muita gente repensar no antes , durante e depois de um parto normal. Não passei por todas essas fases, pois fiz cesárea, mas o pós cirurgia foi igualzinho, medos, dúvidas e falta de compreensão. Por fim, o que importa é que passa e a gente rir de tudo porque vale muito a pena.

  5. Que lindo Camilla.. Deus te abençoe .. Estou com 35 semanas e sonhando com o meu parto normal.. Se Deus quiser vai ser lindo e abençoado .. Também fui aos EUA fazer o enxoval e usei muitas dicas suas.. Bjss e felicidades nessa nova etapa..

  6. Que lindo Camila! Só agora li seu relato e que maravilha. Estou encantada com a forma como você está vivenciando a maternidade. Saúde sempre para você, seu bebê e marido. Parabéns!

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