Diário do bebê: 6º mês

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“Ei mamãe, como você tá dando de mamar se seu peito é tão pequeno?”

E foi assim que a pediatra nos recebeu na primeira consulta pós parto. É comum o bebê perder peso na primeira semana de vida, mas Pedro ganhou 200g e a médica nos recebeu assim em seu consultório, quando eu entrei feliz e serelepe pra checar se meu bebê estava bem. As palavras dela foram um belo “acorda, menina que esse mundo é mais complicado do que você imagina.”

Nunca mais passei por aquela porta. Procurei outra profissional que incentivasse e não duvidasse da minha capacidade. E assim foi.

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Seis meses de Pedro.

Seis meses de aleitamento exclusivo. No diário do bebê deste mês, resolvi compartilhar minha experiência com a amamentação exclusiva e como as coisas fluíram nesse meio tempo.

Não foi fácil. Desde o primeiro momento. Ou melhor, da segunda mamada. A primeira foi perfeita. Mil elogios! Meus medos e incertezas foram embora a partir do momento em que ele fez a pega perfeita e eu não senti dor. Durante toda a gestação ouvi que eu precisava tomar cuidado e me preparar pra o pior, pois “amamentar dói e não é pra todo mundo”. Isso me dava uma angústia, eu achava que amamentar seria uma terrível experiência. Ainda na maternidade, a enfermeira mediu sua glicose e disse que estava baixa, que se não aumentasse ele tomaria complemento. Senti incapacidade. Não deveria ser assim. Pensei: ele vai mamar até cansar, mas eu vou conseguir! E ele mamou. Minutos depois, glicose ótima. Tudo em cima. Vamos pra casa…

Quando você começa a nova vida com o seu bebê começam os pitacos. “Ele só vive no peito. Vai ficar mal acostumado. Como você deixa ele mamar tanto tempo? É por isso que leite de peito é igual água. Se eu fosse você já tinha dado leite em pó pois sustenta a noite toda. Esse menino chora de fome, leite de peito não sustenta.” E a cada novo pitaco, o meu coração de recém mãe me deixava apavorada pensando que eu estava fazendo algo de errado. Eu cogitava desistir e quase me entregava ao apelo alheio. Mas algo mais forte que eu me incentivava a não me entregar. Era o tal instinto materno. E assim foi. Mês após mês ganhando peso, crescendo de maneira saudável. Mesmo durante a fase dark das cólicas, eu não desisti. Mesmo quando todos diziam que ele chorava de dor por conta do meu leite. As cólicas passaram, não mudei nada, ele continuou mamando e crescendo e eu cada dia mais feliz!

Seis meses, seis longos meses de entrega total e absoluta, de livre demanda… seis meses que vão se prolongar, pois apesar de tudo quero continuar amamentando. Não é fácil, cansa, te “prende”, mas aos poucos você aprende alternativas pra ajustar o timming das mamadas e também formas de se sentir menos cansada.

Hoje vejo que tudo valeu a pena! E pensar que eu ouvi o que ouvi da primeira pediatra dele…

Pra você, querida doutora, meu muito obrigada. Suas palavras foram o que eu precisava para provar que todas podem. As despeitadas, as siliconadas, as de bico invertido, pequeno, médio, grande…

Fácil não é e nem nunca será. Ver seu filhote gordinho, grandinho e saudável não tem preço! Quem sabe um dia a gente viva numa sociedade que apoie a mulher de verdade. Que incentive suas escolhas como mãe, que não a critique por amamentar por quanto tempo ela desejar e que a deixe livre pra tomar suas próprias decisões.

Beijos!

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